segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

nefistófeles


Dedicado com todo meu amor às minhas memórias. Tão valiosas, tão preciosas... memórias raras, recheadas de magia e imaginação... criativas e engraçadas. Essas são as ultimas idéias do ano... 2008, não é? Inventamos o tempo, depois ficamos correndo atrás, dele... ou correndo dele... esticando, esmagando, torcendo, matando o tempo... Tem gente que passa uma vida nessa função, nesse último ano muita gente passou nessa função... E o grande exercício continua sendo a comunicação, saber se fazer entender, se adaptar e não se abalar muito com isso... exercício esse, que estamos nos aprimorando ano após ano, que em comorbidade com minha filosofia humanista de vida deve me fazer controlar minha esquizofrenia... essa não era a palavra, mas ela me chegou de maneira tão sincera e pura, que eu não podia coloca-la em outro lugar... essa foi a semente, foi aí que tudo começou... é tipo um fungo, encubado há anos, quase toda uma vida, qualitativamente falando... fui infectado... você tem que saber que se deve tomar cuidados com os seus desejos, pois eles podem se realizar... não basta desejar, tem que ir na porta do capeta e pedir pra entrar... estava doente coitado... não fiquem com pena, é apenas conseqüência de uma vida de excessos, e acredite não é uma ulcera, um pulmão perfurado, um olho vazado, uma hemorroida pra fora, um escoliose, uma conjuntivite, um pé torcido, um buraco onde há pouco tinha um ciso, seguido de febre e tremedeira... essas merdinhas, não derrubam esse capeta... é fato que não devia estar fumando... um baseadinho pode ser, mas cigarrinho? não sou nenhum moralista, mas se fosse meu filho eu não deixava... mas não falo dele, porque quem sou eu pra falar de alguém, ainda mais nessa época do ano... eu vou lá troco uma idéia, tomo umas, queimo vários e valeu-falou...O natal deixa muita gente triste, e não devia ser assim, as pessoas não deviam ficar tristes nunca... a questão da comunicação se refere ao fato de querer ser levado a sério... tão sério quanto uma carta de amor... sim, isso poderia ser uma carta de amor, quem sabe isso até seja uma carta de amor, ou um testamento, coisa séria... mas aí é que tá, ninguém leva a sério cartas de amor hoje em dia...eu não acredito... deixei de acreditar quando fiz uma leitura dramática da carta que uma gordinha escreveu pra mim, no meio da quadra do colégio e todo mundo riu... e ela chorou... eu pago por isso todos dias...mas ainda tou devendo!... o fato é que nosso tempo é contado... tente não julgar, até os vagabundos precisam de férias... é preciso lembrar de não esquecer, você precisa se agarrar em alguma coisa, alguma coisa saudável de preferência, pro corpo ou pra alma...sendo nosso tempo contado é ele que nos define, contado como nossa idéias, nossas memórias e nossos sonhos... Você aí, é muito maior do que eles querem que você acredite, é sempre bom lembrar disso, você vai crescer e vai alcançar novos horizontes, mas eu nunca vou esquecer daquela estrela cadente e do pedido que eu tenho que me esforçar muito pra que ele aconteça e se renove a cada dia... é muito bom se fazer entender... eu atendi o telefonema de uma pessoa que não me telefonava a dois anos, e tratei como se o tempo não tivesse passado, com o mesmo amor... é alzeimer o nome disso, diriam alguns companheiros, que podem dizer, porque compartilham da degeneração, precocemente, merecíamos mais... por isso são tão valiosas...muitas historias poderiam deveriam ser contadas... mas em nossa existência limitada, nosso maior parâmetro de definição é a linearidade, ou seja, a incapacidade de transcender o presente. Obrigado a todos vcs... vcs são lindos, olhando daqui de onde eu estou... que todos vocês tenham uma vida longa e próspera... vcs merecem...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Relogio Biologico


A verdadeira história por trás da história, sim, porque isso nunca será uma mentira... eu ainda não acordara quando senti a sua presença... tive medo, mas não consegui me mexer... minha respiração acelerou, comecei a suar pra variar... ele se manteve ao lado da minha cama, me ignorando, saca do bolso a caixinha de remédios, tira duas pilulas coloridas, põe na boca e engole a seco... se aproxima... não consigo enxergar com clareza... chega bem perto do meu rosto, posso sentir o fedor tipico dos fumantes... e me diz, de forma serena e calma... "vai escrever uma história, porra. E tente ser um pouco mais criativo dessa vez..."... a visão foi clareando aos poucos, já podia me mexer, mas ele não estava mais ali... não é a melhor forma de ser acordado, mas fazia tempo que não via meu amigo, e no final das contas escrevi um texto, que é bem verdade poderia ser bem melhor... mas eu agradeço e entrego a encomenda...em partes...

Relogio Biologico

Ele acorda meio dia e vinte. Em ponto. Todo dia o maldito relogio biologico o desperta. Como se ele tivesse algum compromisso. Mais uma vez ele não tinha compromisso algum. O maldito relógio biologico só servia para lembrar que ele é um desocupado, um vagabundo. Acorda angustiado novamente. Esgotado. E um gosto péssimo em sua boca. Lá fora chove, e ele só pode imaginar que está chovendo desde cedo, talvez tenha chovido toda a madrugada. Olhando aquele dia cinza pela janela, pensa em todos miseráveis que, diariamente, tem que acordar cedo, e ir trabalhar, faça chuva ou faça sol... E não consegue lembrar da época que não sentia esse vazio dentro de si. Esse tempo feio, só que dentro da alma. E tem certeza que é mais miserável que todos eles, porque eles, ao menos tem um proposito. Ele não, ele é um parasita.
Resolve ir pro bar... (continua)


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Brasil com P - parte 1


hoje é aniversário do meu amigo Jaime Jegue do DigaHow, grande figura, considero muito, até porque nossa comunicação vai além dos meios convencionais... tudo de bom pra ele e pros seus... posto um texto do legendário GOG, porque gostamos muito...

Pesquisa Publicada Prova
Preferencialmente Preto, Pobre, Prostituta Pra Polícia Prender.
Pare, Pense, Por Quê? Prossigo...
Pelas Periferias Praticam Perversidades. Pms.
Pelos Palanques Políticos Prometem, Prometem, Pura Palhaçada.
Proveito Próprio. Praias, Programas, Piscinas, Palmas.
Pra Periferia... Pânico, Pólvora, Pá, Pá, Pá.
Primeira Página.
Preço Pago... Pescoço, Peito, Pulmões Perfurados.
Parece Pouco...
Pedro Paulo, Profissão Pedreiro. Preso Portando Pó, Passou Pelos Piores Pesadelos...
Presídios, Porões, Problemas Pessoais, Psicológicos, Predeu, Parceiros,
Passado, Presente, Pais, parentes, Principais Pertences.
Pc, Político Privilegiado Preso Parecia Piada, Pagou Propina Pro Plantão
Policial, Passou Pelo Portão Principal.
Posso Parecer Psicopata, Pivô Pra Perseguição. Prevejo Populares Portando
Pistolas, Pronunciando Palavrões, Promotores Públicos Pedindo Prisões.
Pecado, Pena, Prisão Perpétua, Palavras Pronunciadas Pelo Poeta, Irmão...

GOG

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Vaidade


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...

E não sou nada!...


Florbela Espanca

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Brasil ganhou e eu tô aqui perdido...


Enquanto o Furmiga não me manda as belissimas poesias que me prometeu, posto aqui, uma história real que ele narrou no orkut, em plena copa do mundo de 2006... o tempo passa e continuamos perdidos...

Domingo estáva com o Héi, que não me deixará mentir sozinho, fumando um cigarrinho de menta! na funarte (MOTeU...), por volta das 20h, quando apareceu um caboco catador-de-latinhas completamente nervoso.

Ao longe ele berrou umas três vezes, até que se aproximasse o suficiente para entendermos: "Brasil granhou e eu to aqui perdido!"

Meu Deus, que pérola!, eu pensei.

Ele, com um sotaque típico do lugar de onde veio, gaguejava: "Eu vim, mas nao lembro onde cheguei... tinha umas árvores assim e umas caixas d'agua tipo essa [apontou para o planetario] e uma torre alta tambem [apontou pra torre de tv]... 2x0 ganhamo é gol [sic]... larguei de manhã cedo minha mulher e minhas crianças pra trabalhar e to perdido... oh meu deus do ceu me ajuda... nao sei mais qual era a caixa d'agua..."

O Helio como que inspirado por alguma divindade do cerrado apontou a direção da rodoferroviaria àquele bom brasileiro!

Seguiu na fé de que seria por ali mesmo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Oráculo

Oráculo
Não enterramos. Não enterramos nenhum morto. Não enterramos nenhum morto sem antes cavarmos sua garganta. Sem antes recolhermos suas cordas vocais. Sem antes as colocarmos para secar. Sem antes preenchermos a ferida exposta com a terra banhada em sangue. Para impedir que as palavras guardadas em seu peito encontrem saída. Mas tudo. Mas tudo o que não foi dito. Tudo o que não foi dito em vida. Tudo o que por um motivo ou outro se manteve trancado. Precisa ser expresso. Busca a luz do dia. Não pela garganta, não pela voz do morto. Pois o que não disse foi também o que o matou. Não pela garganta, não pela voz do morto. Pois se não o disse, também não irá querer dizê-lo agora. Mas tudo. Mas tudo o que não disse. Tudo o que não disse em vida. Precisa ser dito. Então, dependuramos suas cordas vocais. Sob o crepitar do sol. Por às vezes dois, às vezes três dias. Observamos as suas cordas vocais. Pingando sons, pingando letras. Pingando suspiros de agonia. Quanto tempo, depende do vento. Depende da chuva. Depende do sangue. Depende da força com que a terra o suga. Os filamentos vermelhos. Os filamentos tensos. Os filamentos espessos nos quais as palavras escorrem até o chão. Através dos quais fogem. Para o ventre da terra, em busca de abrigo. Em busca de proteção. Dos olhares inquisidores, dos olhares abrasivos. Os filamentos vermelhos. Nos quais as palavras se estendem. Confessam tudo o que não foi dito em vida. Em nódoas de vergonha. Em frases retorcidas. Letra por letra, sílaba por sílaba. Que se alongam, que se afinam. E se rompem. Assim uma palavra se exaure e começa a próxima. Dançando ao vento. Tremendo com o seu frio. Umedecendo-o enquanto passa. Os filamentos silenciam verdades na terra. Que lentamente as absorve. Que lentamente as absolve. Onde o sangue deitou muita dor, não nascem mais plantas. É o sangue que os insetos evitam. É o sangue do qual não surge mais vida. É a terra onde ninguém mais pisa. Uma vez purificadas as cordas vocais. Pelo sol e pela chuva. Pela terra e pelo vento. Então, as trançamos e as levamos à caverna. Para incorporá-las à teia. Em cujo núcleo descansam as cordas vocais dos nossos ancestrais. Que chegaram antes do tempo. Que chegaram antes dos costumes. E que teciam as vozes uns dos outros, tão logo morriam, para que dissem tudo o que não haviam dito. Tudo o que tinham escondido. E para que se comunicassem, pelas vibrações dos fios, com as futuras gerações. Assim secaram nossos antepassados suas vozes, assim começaram a fiar a teia. À qual suas filhas e seus filhos acrescentaram suas próprias vozes. O que continuamos a fazer, costurando nas suas margens. As cordas vocais de todos que morrem. Para que a teia não morra. Nós a alimentamos. Para que o tempo não pare. Nós a ampliamos. Para que o fim não se esqueça do começo. Para que o último não se desfaça do primeiro. Para que os costumes não se percam. Costuramos a teia. Que cresce. Para o futuro. E se expande. Para todos os lados. A teia é o nosso calendário. Onde transcorre o tempo. No seu centro encontramos carcaças de insetos que não existem mais. Há folhas secas de plantas que desapareceram. Esqueletos de animais dos quais nos falam as lendas. Mas a teia não apenas. A teia não apenas marca. A teia não apenas marca o passar do tempo. Ela também o move, ela também o engendra. Ela também o tece. Ela também o fia e desfia. Além de nosso calendário. Além de nosso contato com o passado. A teia é o que nos liga ao futuro, é também o nosso oráculo. Que nos informa o que vai e o que não vai acontecer. E nos diz o que devemos e o que não devemos fazer. Para que fale. Respiramos levemente em sua superfície. Com a boca entreaberta. A vibração corre por seus fios. Dividindo-se nas bifurcações. Reencontrando-se nas encruzilhadas. Perfazendo toda a sua extensão. Despertando ao passar pelo centro. O saber dos antigos. Que então se expressa no vocabulário das margens. De forma que possamos compreendê-lo. Entretanto, a teia apenas nos revela. A teia apenas nos revela o que já sabemos, a verdade que já pressentimos, que freme nas cordas vocais dos vivos. Ela não faz mais do que amplificar. Do que tornar audível para nós mesmos o que vem escrito em nosso hálito, o que lhe sussurramos. Quando a assopramos delicadamente. Quando a assopramos com amor. Ela canta. Mas quando imprimimos em seus fios um ar seco e áspero, carregado de ódio, medo e rancor. Ela solta um grito estridente. Por mais que tentemos disfarçar. Por mais que tentemos disfarçar nossos receios e nossas intenções. A teia sempre acaba por amplicá-los. Da teia, nada é possível esconder. À teia, nada é impossível saber. Que a teia nos mostre o caminho. Que a teia nos mostre o ser. Que a teia nos mostre o caminho. Que a teia nos mostre o ser. Que a teia nos proteja da aspereza. Que a teia nos entregue à justiça. Que a teia nos proteja da aspereza. Que a teia nos entregue à justiça. Que a teia nos revele o passado. Que a teia nos revele ao futuro. Que a teia nos revele ao passado. Que a teia nos revele o futuro. Que a teia nos revele uns aos outros. Que a teia nos revele a nós mesmos. Que a teia nos mostre o caminho do ser.

Murilo Seabra

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Um homem rico


Um homem queria ficar rico e, todos os dias, ia pedir a Deus que lhe atendesse às súplicas.
Num dia de inverno, ao voltar da oração, avistou, presa no gelo do caminho, uma polpuda carteira de dinheiro.
No mesmo instante, julgou-se atendido. Mas como a carteira resistisse aos seus esforços, urinou em cima dela a fim de derreter o gelo que a retinha. E foi então...
Que despertou na cama toda molhada...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Retorno do Cap. Kirk - Prólogo.


linda ilustração de Daniel Pingú

Ele caía...
Sozinho.
Atravessando o ar de Veridian III. A estridência da ponte de metal ecoando em seus
ouvidos. Rodopiando. 0 sol reluzindo em seus olhos. As sombras envolvendo-o por completo.
Uma atrás da outra, à medida que ia caindo. Luz Sombra. Luz. Sombra. Como um bater de
asas. Como todos os dias de sua vida. Entrecruzando-se...
Num campo de milho no Iowa... ele olha as estrelas. Um menino de cinco anos nos braços de seu pai. Eu tenho de ir até lá, diz o menino. E você vai, Jimmy, responde o pai. Você vai...
Nos braços de Carol, na cama de casal... mesmo sabendo que devia deixá-la, assim como o filho que conceberam e que crescia dentro dela...
No quartel general da Frota Estelar... o almirante Nogura aperta sua mão: Parabéns, capitão, a Enterprise é sua...
Na doca espacial... o capitão Pike fazendo a apresentação: Seu oficial de ciências, tenente-comandante Spock...
Nas ruas do passado da Terra... a freada brusca, Edith, iluminada pelas faróis que penunciavam a morte...
Ao longo de todos aqueles dias, ele caindo, sozinho, ouvindo os sussurros do passado...
Eu sou e sempre serei seu amigo... Droga, Jim, sou um médico, não um pedreiro...
Deixe-me ajudar...
Eu sempre soube que morrerei sozinho...
Então, uma sombra bloqueou a luz. Deteve sua queda. Interrompeu aquele caleidoscópio de dias. Ele virou a cabeça, olhou para cima, viu um rosto que reconhecia, não do passado, nem do presente.
Do futuro.
- Conseguimos? - por fim, perguntou. - Nós fizemos a diferença?
O outro, em seu estranho uniforme, mas com a familiar insígnia da Frota Estelar no peito, ajoelhou-se ao seu lado.
- Sim, nós fizemos a diferença. Obrigado.
Em seu interior, o homem caído estava ciente da dor profunda e incurável Em seu interior, conscientizou-se de que não podia sentir as pernas, os braços, como se ele e toda a existência estivessem se dissipando ao mesmo tempo.
Sua visão começou a desfocar, escurecer, engolfada por uma sombra final que absorveu tudo o mais que restava.
Mas o outro, esse estranho, esse... Picard.. ofereceu sua amizade Em uma outra existência, talvez fosse possível. Muitas coisas teriam sido possíveis. Tantas possibilidades...
- E o mínimo que eu podia fazer - disse o homem caído, ignorando aquela sombra final
por causa de seu novo amigo -pelo capitão da Enterprise.
As vozes da escuridão começaram a chamá-lo novamente e, juntas, eram mais do que
apenas sussurros.
Através do entrelaçamento do metal retorcido, ele vislumbrou algo movendo-se, chegando mais perto.
Fechou os olhos.
O que havia dito a Picard quando se conheceram? Quando Picard o desafiou a voltar para realizar uma última missão?
Ele se lembrava. Então, seus olhos abriram-se.
- Foi... divertido - murmurou ele para Picard. E tentou sorrir. Para poupar a dor ao amigo.
Aquilo que surgira e que repousava além da ponte estava cada vez mais perto, vindo, como sempre estivem antes, em seu encalço.
Através do aço dilacerado, a forma estava mais clara agora. Mais próxima. Conhecida.
O olhar do homem caído a acompanhou, admirado por que Picard não a via, sequer pressentia sua presença.
Tentou alertar Picard Ajudá-lo a evitar algo do que já não mais podia fugir.
Mas o amálgama de seus dias chegara ao ápice. Rapidamente. E a face daquilo que o perseguia chamou definitivamente sua atenção.
Os resquícios finais de existência emanaram dele como uma luz suave e difusa, revelando tudo o que repousava além e que, ainda, estava por vir.
- Meu Deus! - murmurou.
Enquanto ainda via.
Enquanto ainda sabia.
E, aí, caiu novamente.
Sozinho...



Bill Shatner, quem diria...

por favor, não comam meu cerebro!


A midia age como um zumbi do romero. Coiotes e abutres atraídos pela podridão... podridão essa criada e recriada por ela mesma, irracional... Eles esperam a próxima tragédia do momento, tudo de forma muito grotesca, exploram os detalhes mais sórdidos, vão atrás das pequenezas que não interessariam a ninguém. Surpreendentemente mais casos surgem diariamente, como uma epidemia, aparecem em todos os lugares.
Motoristas drogados e surtados matam inocentes como um grupo de exterminio dos infernos. Crianças são lançadas de prédios por pais e madrastas, aparentemente possuídos pelo cão. Por todo Brazil, babás e empregadas sádicas e perversas cruekmente torturam crianças, idosos e deficientes mentais. Homens que aparentemente não sabem amar, enlouquecidos de ciúmes, sequestram, torturam e matam suas parceiras, por todo o país. Predadores sexuais, estupram, matam e espalham crianças mortas dentro de malas por aí. Professoras ora estão na mira de uma armas empunhada por uma criança, ora são acusadas e condenadas por incitar um espancamento entre crianças de 6 anos.
O pior, pra mim, é esperar a próxima miséria humana do momento. O que está sorrateiramente escondido bem perto de mim? Qual a intensidade da próxima bomba que irá explodir? Enquanto isto vivemos em estado de constante tensão. Um mundo muito mais assustador que aqueles habitados por zumbis que só querem comer a gente.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

os negros e o negro


A zeladora do prédio onde moro é negra. (Ela usa um lindo boné africano.)
O zelador do prédio em frente e do prédio ao lado são negros. (O do bloco da frente vive de tererê.)
O zelador do prédio onde morei antes era negro.
Negros também eram três dos cinco zeladores que instalavam a decoração de Natal num dos prédios mais caros do Sudoeste, ontem pela manhã.
Negras as duas mulheres e as duas crianças de colo que ontem pela manhã pediam "uma moeda, tia", no estacionamento da feira permanente do Cruzeiro.
São negros cinco dos sete adolescentes que dormem na calçada do Box 16, na entrada da Feira dos Importados.
Nos meus tantos anos de vida escolar, não tive nenhum professor negro.
Nos meus 30 anos de redaçaõ, convivi com centenas de jornalistas. Só sete eram negros.
Não houve nem há nenhum negro entre os médicos com os quais eu e minha família nos consultamos. Não raramente, observo entre a classe média, gente que gagueja antes de dizer "negro", num preconceito que se manifesta às avessas. Caracterizar a coe da pele de alguém como sendo negra é, no entendimento dos gaguejantes, uma ofensa. Preferem "moreno", para disfarçar o sentido negativo que dão à diferença de cor da pele.
São essas algumas, e só algumas, das razões pelas quais esta brasileira aqui chorou desbragadamente na madrugada do histórico 5 de novembro passado.
O que o negro eleito fará com o cargo conquistado é algo a saber - e a torcer.
os céticos que me perdoem, mas a eleição de um negro à presidênciamais poderosa do mundo é um alento à alma dos negros de todo planeta. Raça (e digo raça no sentido cultural e não genético, antes que alguém me lembre que a ciência já provou que raça não existe), raça que foi e continua sendo extropiada, usurpada, tratada como subumana, com o pedão da palavra feia. O mundo inteiro sabia que o negro poderia ganhar do branco, mas parecia improvável demais para acreditar. A ficha não caiu antes da hora nem para o mais arguto e astuto dos analistas políticos dos grandes jornais e sites. O mundo sabia de antemão que ele poderia ganhar, mas era demais saber.
Na madrugada de 5 de novembro de 2008, a história imprimiu sua pegada grandiosa na era contemporânea. Só quando se viram as multidões nas ruas das principais cidades norte-americanas, o choro do reverendo Jesse Jackson, e de eleitores jovens de todas as cores, é que caiu a ficha do mundo. Um negro chegou lá. Independentemente do que ele vier a fazer, a vitória nas eleições por si só já foi uma inimaginável conquista. Tomara, não seja somente uma conquista simbólica.
Conceição Freitas escreve ótimas cronicas da cidade naquele jornalzinho de merda chamado correio braziliense.

12 anos


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

As provas da conspiração


Rato Jerry é pró-judeu, conclui especialista do Ministério da Educação do Irã. Para Hassan Bolkhari, especialista em comunicação de massa, o desenho animado Tom e Jerry é uma conspiração para favorecer a imagem dos ratos - apelido pejorativo associado aos judeus. Folha Mundo, 25 de fevereiro de 2006.
Confrontado com a esmagadora evidência de sua culpa, Jerry, o rato, não teve outro remédio senão admitir a verdade: sim, disse ele, eu não passo de um agente secreto a serviço de uma conspiração criada para melhorar a imagem judaica no mundo.
Soluçando, disse que relutara muito antes de aceitar a proposta, mas que esta se tornara irrecusável quando lhe foi feita uma inesperada oferta: pelo resto de sua vida teria queijo na quantidade que quisesse.Ah, sim, e poderia escolher a variedade: brie, camembert, cream cheese, feta, gorgonzola, gruyère, mussarela, pecorino, provolone, roquefort, qualquer uma destas variedades estaria à sua disposição (acompanhada ou não de bolachinhas e torradas), bastando apenas que ele telefonasse e dissesse sua senha. Encontraria o queijo em certa secreta despensa, que aliás serviria de base de operações para outros ratos famosos envolvidos na conspiração. E que eram muitos: por exemplo, o camundongo Mickey e sua namorada, Minnie: como Jerry, figuras simpáticas, amáveis. Mas devidamente cooptadas.
Mas as revelações não ficaram por aí. Descobriu-se que Tom, o próprio Tom, o gato valoroso que perseguira Jerry em tantos desenhos animados, também estava sob o controle dos mentores da conspiração, coisa que demandara várias providências. Capturado, Tom fora submetido a uma lavagem cerebral, da qual saíra com característicos de autômato. Nos desenhos animados, ele poderia continuar correndo atrás de Jerry, mas sem jamais alcançá-lo. Com isso, estaria confirmando a superioridade dos ratos (e do grupo que eles metaforicamente representam). Tom seria vigiado de perto pelo enorme cão que existia na casa e que também era parte da conspiração.
Enfim, a revelação chocou muita gente. Mas ela deve servir de alerta. Será que outras figuras dos desenhos animados não estão envolvidas na conspiração? Será que o Pato Donald não está nessa? Ou a Branca de Neve? Ou o Bob Esponja? O inimigo é insidioso e está por toda a parte. É melhor, portanto, não ir ao cinema, não assistir à TV, não ler livros, revistas ou jornais. Ah, sim, e não esqueçam de olhar debaixo da cama: será que o Jerry não está ali, escondido, à espera do momento propício para atacar?

Moacyr Scliar... meu imortal vivo preferido...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Anansi


Anansi não gostava do Pássaro porque, quando o Pássaro sentia fome, ela - sim, ela, porque era um pássaro fêmea - comia muitas coisas. Uma das coisas que comia eram as aranhas, e o Pássaro estava sempre com fome.
Antigamente eles eram amigos. Mas agora não são mais.
Um dia, Anansi estava andando e viu um buraco no chão. Isso faz com que tenha uma idéia. Coloca madeira no fundo do buraco, faz uma fogueira, põe uma panela no buraco e, dentro dela, coloca raízes e ervas. Então começa a correr em volta da panela.
Corre, dança e grita:
- Eu me sinto bem! Eu me sinto tãããão bem! Todas as minhas dores sumiram. Eu nunca me senti tão bem em toda a minha vida!
O Pássaro ouve aquela confusão. Desce dos céus para ver o que era aquilo. E pergunta:
- Por que você está cantando? Por que está agindo feito um louco, Anansi?
Anansi cantarola:
- Eu tinha uma dor no pescoço, mas ela sumiu. Minha barriga doía, agora não dói mais. Minhas juntas faziam barulho, mas agora estou maleável como uma palmeira, macio como a Cobra quando troca de pele. Eu me sinto feliz, cheio de energia, e agora serei perfeito, porque sei o segredo que ninguém mais sabe.
- Que segredo?
- O meu segredo. Todos vão me dar suas coisas mais preciosas e mais queridas só para saber o meu segredo. Uhu! Oba! Eu estou tão feliz!
O Pássaro vem um pouco mais pra perto e inclina a cabeça para o lado. E pergunta:
- Eu posso saber o seu segredo?
Anansi olha desconfiado para o Pássaro. Então fica escondendo a panela borbulhante sobre o buraco.
- Acho que não - responde Anansi. - Talvez não tenha suficiente. Melhor esquecer.
E o Pássaro responde:
- Olha, Anansi, eu sei que nem sempre nós fomos amigos. Mas eu digo uma coisa. Se você me contar o seusegredo, prometo que nunca mais nenhum pássaro vai comer aranhas. Vamos ser amigos até o fim dos tempos.
Anansi coça o queixo e balança a cabeça.
- E um segredo bem grande e importante, esse de fazer as pessoas jovens, cheias de vigor, sem sentir dor nenhuma.
O Pássaro limpa algumas penas com o bico. E diz:
- Ah, Anansi, você sabe que eu sempre achei você um homem muito bonito. Por que nós não nos deitamos ali na relva um pouco? Sei que posso fazer você deixar de lado essa sua desconfiança para me dizer o seu segredo.
Então eles se deitam sobre a relva e começam a se acariciar, a rir, a ficar alegres.
Assim que Anansi consegue o que queria, o Pássaro diz:
- E agora, Anansi? E o seu segredo?
- Bom... eu não ia contar pra ninguém. Mas pra você eu conto. É um banho de ervas nesse buraco aí no chão. Olha só, eu coloco umas ervas e umas raízes. E quem entrar nessa água vai viver para sempre, sem sentir nenhuma dor. Eu tomei banho aí e agora estou me sentindo jovem como um filhotinho de gato. Mas acho que não é bom deixar mais ninguém tomar banho nessa água.
O Pássaro olha para aquela água borbulhante e, rápido como um raio, mergulha na panela.
- Está tão quente, Anansi!
- Tem que ser quente para as ervas fazerem efeito.
E então Anansi pega a tampa da panela e a cobre. É uma tampa pesada, e Anansi coloca uma pedra sobre ela para fazer ainda mais peso.
Bam! Bam! Bom! é o barulho que o Pássaro faz na tampa da panela.
E Anansi grita:
— Se eu deixar você sair agora, todo o efeito do banho borbulhante vai passar.
Relaxe aí dentro, aí você vai começar a se sentir melhor.
Mas talvez o Pássaro não tenha ouvido, ou não tenha acreditado nele, porque o barulho dentro da panela e as tentativas de empurrar a tampa continuaram por mais algum tempo. E depois pararam.
Naquela noite, Anansi e sua família comeram uma deliciosa sopa de Pássaro, com Pássaro cozido. Não sentiram fome por muitos dias.
Desde essa época, os pássaros comem aranhas sempre que podem, e as aranhas e pássaros jamais voltarão a ser amigos.
Há outra versão da história, em que também convencem Anansi a entrar na panela. As histórias todas pertencem a Anansi, mas nem sempre ele leva a melhor.
Retirado do livro Filhos de Anasi do Sr. Neil Gaiman... e a ilustração, assim como as que ilustram as historinhas do menino preto são do Sr. Malangatana... coisa fina, meu velho...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Notas do Velho Buk


hoje, dia 28 de outubro, é aniversário dos meus admiráveis amigos Lima e João, um gêmeo mau e outro pior... desejo saúde e disposição pros dois, Deus nos dê fígado... e como os dois são cavalheiros, postarei um trechinho do buk... sensível e poético... o final surpresa do texto eu posto ano que vem... Qapla'...

tudo bem, uma noite, as luzes todas apagadas, acordei bêbado, mas vendo, você sabe, subitamente vendo as paredes sujas. a total falta de propósito, a tristeza, tudo. e me levantei num cotovelo e olhei ao redor e todos pareciam ter ido embora. apenas aquelas garrafas vazias de vinho no seu lado enluarado aguardando a manhã dura e nojenta, e eu olhei ao redor de mim na cama e lá estava aquela forma humana. alguma buceta tinha decidido ficar comigo - isso era amor, isso era bravura. merda, quem realmente poderia me aguentar? qualquer um que pudesse me aguentar tinha muito perdão em sua alma, eu simplesmente tinha que RECOMPENSAR essa doce, pequena e querida gazela por possuir o culhão, o dicernimento e a coragem de ficar comigo.
quer melhor recompensa do que foder ela no cu?
eu andava cruzando com um tipo estranho de mulheres, uma estranha linhagem de mulheres e nenhuma delas queria ele no rabo e portanto eu não consegui dessa maneira e a coisa ficou trabalhando na minha mente. costumava ser a única coisa que eu queria falar quando ficava bêbado. eu dizia pra algumas mulheres:
"vou meter no teu cuzinho, vou meter no cu da tua mãezinha, vou meter no cu da tua filha." e a resposta era sempre, "ah, não vai mesmo!" elas fariam tudo e qualquer coisa menos isso. talvez fosse apenas a época e o tempo, ou apenas uma questão matemática, porque um bom tempo depois disso não havia nada além de mulheres se chegando e dizendo, "Bukowski, por que que você não me fode em cima do fogão? eu tenho uma bundona fofa e redonda". e eu respondia "certamente que tem, querida, mas é melhor não".
mas naqueles dias eu simplesmente nunca levava desse jeito, e eu tava me sentindo meio maluco, como de costume, e tinha essa estranha idéia que uma boa foda no cu delas resolveria muitos dos meus problemas espirituais e mentais.
Notas de um Velho Safado de Charles Bukowski.


sábado, 18 de outubro de 2008

crime

Havia um crime a ser solucionado. Um culpado a ser descoberto. Muitos delitos acontecem todos os dias, todas as horas, e eram ignorados, pela falta de sensibilidade e de coragem. Mas esse crime não seria mais ignorado, não podia e não iria. Pecados são cometidos e absolvidos a todos instantes. Infrações também eram cometidas. Memorias eram esquecidas, lembranças eram criadas e se tornavam raras preciosidades.
O autor desse crime deveria ser encontrado, suas motivações seriam reveladas, e ele deveria ser punido exemplarmente, reeducado e por fim perdoado...Até porque as consequencias terão repercursões, e então não mais poderá ser ignorado e esquecido... há um crime acontecendo...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

sangue de et



Sangue de ET
pra mim e pra você
Vamos brindar
vamos beber

Pra curar
todo mal
a hemodiálise de aliens
vai deixar todo mundo normal
porque...
o Sangue de ET...

Tem poder
o Sangue de ET
vai nos fortalecer
se eu acreditar eu vou me convencer

Eu precisava me purificar
depois de tanta desgraça
só mesmo uma cachaça
Pra curar todo mal
a hemodiálise de aliens
vai deixar todo mundo normal
porque...
o Sangue de ET...

Tem poder
o Sangue de ET
vai nos fortalecer
se eu acreditar eu vou me convencer

O Sangue de ET
é a solução
tem gosto de jujuba
e deixa doidão

Pra curar todo mal
a hemodiálise de aliens
vai deixar todo mundo normal
porque...
o Sangue de ET...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

CONTOS D’ESCARNIO DA HILDA




PEQUENAS SUGESTÕES E RECEITAS DE ESPANTO-ANTITÉDIO PARA SENHORES E DONAS DE CASA.

I
Pegue uma cenoura. Dê uns tapinhas para que ela fique mais rosadinha (porque essa que você pegou era uma pálida cenoura). Aí diga: cenoura, tu me lembras uma certa tarde, uma certa loira, quando meu nabo, num fiasco, emurcheceu de vez. Se a tua mulher te encontrar na cozinha com a cenoura na mão, dizendo essas coisas, diga apenas: que bonita que é a cenoura, né bem?

VIII
Enfeite a mesa com flores. Compre um peru. Feche as crianças no banheiro. Antes de começar a ceia convide seu marido para dançar ao redor da mesa (não mexa com o peru). Inopinadamente pergunte se ele gosta de trufas. Se ele disser que sim, gargalhe algum tempo atrás da porta e diga que “trufas não tem não, amorzinho”.

IX
(Se você for PhD, leia até o fim. Se não, pule esta.) Faça um buquê de orelhas. É fácil. Peça apenas uma a cada um de seus dez amigos íntimos. Diga-lhes que é para uma causa nobre. Se perguntarem qual causa (não confundir com Cáucaso, é outra coisa), diga que você precisa mandar o buquê para tua velha e querida preceptora inglesa (quando você tinha quinze anos, lembra-se?), que arrancou as tuas duas porque você insistiu inquebrantável durante doze horas seguidas que aquela primeira frase do discurso de Marco Antonio para o povão, era na “tua” tradução “Empresta-me tuas orelhas”. Todos concordarão, acredite, com o teu pedido. Ainda mais porque todo mundo sabe que “Lend me your ears” quer dizer isso mesmo.

XI
Compre manteiga. Passe-a nos dedos. (Esqueça-se de Marlon Brando.) Chupe-os. E diga em tom de oração: que vida solitária, meu Deus. (Contenha-se).


Teatrinho nota 0, n.º 2
Autor: Nenê Casca Grossa

A Ursa

eu a amo, pai
mas ela é uma ursa, filho.
o senhor não sabe como são as ursas, pai.
claro que eu sei. Eu as caço todos os dias.
não seja cruel, pai.
muito bem, filho. Chame a ursa.
Ursa!
(O pai examinando a ursa) E então, meu filho? É peluda, tem focinho, tem patas, (examina os dentes) tem dentes de ursa.
o ser não notou uma coisa diferente que ela tem?
que coisa, filho?
aquilo.
aquilo... o que pode ser aquilo? Tem rabo?
a coisa da Ursa, pai.
(pensativo) A coisa... Tudo é coisa, filho. E ninguém sabe o que é coisa.
porra, pai!
A boceta da ursa.caralho!
E por que não falou logo?
a gente tenta não explicitar, né, pai.
Mas que mania que as gentes têm de não serem exatas.Coisa. Coisa. Muito bem. E o que há com a xereca da ursa?
é quente como a de gente. É doce como merengue.
Homo sum, humani nihil a me alienum puto. E isso quer dizer: homem sou e nada do que é humano me é estranho.
mas ela não é humana, imbecil.
você é que pensa.
Ursulinhaaaa, vai fazer o almoço (a ursa e traz velozmente o almoço).
Ursulinhaaaa, vai lavar a roupa (a ursa vai e traz velozmente a roupa lavada).
Ursulinhaaaa, começa a varrer (a ursa varre adoidada).
(o pai muito entusiasmado)
pede, filho, para ela me fazer aquilo. Aquilo que eu gosto.
como é que eu vou saber o que você gosta?
aquilo, aquilo.
bananas cozidas, nabos, doce de abóbora... Pepinos?
(o pai entusiasmado)
isso! Isso!
mas o senhor nunca me disse que gostava de pepinos!
ó, pelos céus!Maldito! Quero saber se a ursa sabe chupar cacetas! Sabe?
e porque não disse logo, pai? Aquilo... Aquilo... Poisela chupa cacetas muito bem.
ó, filho, casemo-nos com ela! É tão raro e singular uma ursa como essa!
vai ser bom, papai. Obrigado, papai.
vai ser bom, meu filho. Obrigado, meu filho.
(As atitudes da ursa durante a peça ficam a cargo do diretor)

CONTOS D’ESCARNIO / TEXTOS GROTESCOS (1990).

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

jah jah


JAH ME DÊ EM DOBRO TUDO QUE EU TE DESEJAR

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

noite na terra


"Aquele era você, não? O garotinho? Como você faz? Como você aguenta?"


"É assim que você dá sentido ao mundo. E se puder fazer isso... pode impedir que o mundo crie mais pessoas como nós e ninguém nunca mais terá nada à temer."
(planetary/batman de ellis/cassaday)
Você procura ajudar uma pessoa perdida, pergunta se ela precisa de ajuda, explica, auxilia, tenta ajudar de alguma forma... Você finge que não vê uma pessoa perdida, até porque isso não é da sua conta, e seus problemas são, provavelmente, maiores que os dela... Você se diverte com a angustia da pessoa perdida, olha e ri... Você percebe uma pessoa perdida, o contato visual é inevitável, ela pede sua ajuda, primeiro você pensa em ajudá-la a contra gosto, mas propositalmente, ensina o caminho errado, ela vai embora com um sorriso nervoso de agradecimento... e você sente algo... um prazer por sentir que conseguiu fazer alguém mais miserável que você...
Aos poucos a sociedade te transforma exatamente no oposto do que vc, um dia, esperou que deveria ser... tudo devagar e gradativamente... Você se vê cansado de ser mal interpretado, não agüenta mais que abusem da sua boa fé, a maioria te acha um otário... de repente nada mais importa... e você termina como a maioria... em um mundo que você gostaria que fosse diferente, mas se vê impotente, e pior que isso, cada vez mais fraco e sem energia...
É assim que eu me sinto... afogado em merda até a boca... amargo... um tipo de ser humano que até há poucos anos, eu considerava uma alma sebosa, e pensava “evolua, já estamos ficando sem tempo”...
E então fica claro, que é isso que querem e esperam de você... e que você precisa ser maior que isso... que essa dinâmica, faz parte de um plano maior, que serve pra manter-nos em toda essa merda... A partir de agora o trabalho é constante... você deve fazer a coisa certa... sempre... procurar onde injustiças estão sendo cometidas e tomar o partido... dizer a verdade... estender a mão a quem precisa... oferecer a outra face e ser um educador... enquanto ainda agüentamos... porque muitos já desistiram... estender a mão ao inimigo... cortar esse laço, que te envolveu, se separar de tudo que tentou te prejudicar e te transformar em algo menor do que você está destinado... e eu não posso te dizer quais as conseqüências dessa atitude, mas por mais que você encontre sofrimento, e digam mentiras ao seu respeito... qualquer coisa é melhor que colaborar com esse esqueminha do adversário... se é que vc me entende...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Faltas

Há uns anos Lourenzo me contava histórias cheias de angustias e me apresentava imagens fortes, que transmitiam todo desconforto que uma mente frágil e bela devia sentir... histórias de desesperança e loucura, que ironicamente me davam abrigo e a sensação de não estar só... talvez eu fosse muito jovem, talvez eu me identifixasse mais do que deveria... Toda a tristeza, rancor e dor, e ainda assim compartilhava tudo isso comigo e me fazia rir... um riso nervoso e desconfortavel... Ele foi um grande mestre pra mim... um grande amigo... quando o conheci me enchi de alegria e orgulho só por ele ter achado que nós já nos conhecíamos... ainda não o conhecia pessoalmente, mas oras, foi ele que me apresentou o inferno...

sábado, 13 de setembro de 2008

Gonorant$



"Eu quero muito ser abduzido, porque aqui ninguém gosta de mim."

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

VIniCIOS


Eu sei que vou te --------
Por toda a minha vida eu vou te ---------
Em cada despedida eu vou te -----------
Desesperadamente, eu sei que vou te ----------
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te --------
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Donnie


"- Meu padrasto tem problemas emocionais...
- Legal, eu também tenho. Qual o problema dele?
- Esfaqueou minha mãe no peito..."

"Eu sou problemático e confuso. Eu tenho muito medo, mas acho que você é o anti-cristo!"

"Eu prometo que um dia tudo será bom pra você!"
assistam Donnie Darko, por favor...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Eu sou o...

linda ilustração de Daniel Martin Diaz

Eu sou o...
Eu sou aquele que não deve nada além de ódio pros norte-americanos.
Eu sou aquela que limpou sua casa e não recebeu o salário em dia.
Eu sou aquela que agradeceu por você não bater mais no marido preso.
Eu sou aquele que entrega sua correspondência, você pega e nem olha nos meus olhos.
Eu sou aquela empregada que limpa o vidro pela terceira vez e ainda não está bom.
Eu sou aquele proletário que você paga quando acha que deve.
Eu sou aquele culpado por sobreviver ao massacre.
Eu sou aquele desinformado, abandonado.
Eu sou aquele descendente de algum rei angolano.
Eu sou aquele julgado, condenado e amargurado.
Eu sou aquele que tem antecedentes criminais no sangue.
Eu sou a cabeça encostada no vidro do ônibus, cansada e triste.
Eu sou o imigrante humilhado.
Eu sou um homem extraordinário, mas tentado por algo melhor que salário.
Eu sou aquele que queria a revolução.
Eu sou aquele que acredita em algo, depois da morte.
Eu sou aquele que chorou no enterro de mais um amigo.
Eu sou aquela que voltou sozinha, viúva e amargurada do hospital das clínicas.
Eu sou aquela que não dorme pelo filho.
Eu sou aquele que não dorme pela mãe.
Eu sou aquele que não vive, sobrevive.
Eu sou alguém em algum lugar, querendo algo.
Eu sou aquele que não tem e quer ter, mas sei que não terei.
Eu sou aquele que proporciona o terror.
Eu sou a voz mãe.
Eu sou o ouvido meu filho.
Eu sou todos.
Eu sou mais um sem direitos, só deveres.
Eu sou aquele que segura o fuzil.
Eu sou aquele que mata o menino que segura o fuzil.
Eu sou aquele que paga a droga e mantém a guerra.
Eu sou aquele que prega a guerra sem fim.
Eu sou aquele que canta a guerra sem fim.
Eu sou aquela que carrega baldes com água, e nota o sol, mas nem lembra mais da chuva.
Eu sou alguém no canto da casa, brincando com uma panela vazia.
Eu sou alguém no hospital enrolando a língua.
Eu sou mais um número na estatística.
Eu sou aquele que não compra o carro em promoção na televisão.
Eu sou aquele que divide um quarto com mais quatro.
Eu sou aquele que tem uma 12 de cano serrado.
Eu sou aquele que vai rezar mais uma missa de sétimo dia.
Eu sou aquele que continua de barriga vazia.
Eu sou aquela que usa farinha e bicarbonato.
Eu sou aquele que nunca voltou com o malote.
Eu sou aquela que reza pra não ter mais uma rebelião.
Eu sou aquela que sonha com uma casa com árvores e talvez uma piscina.
Eu sou aquele que faz o sangue espirrar no rosto da milionária.
Eu sou aquele que bota fogo no carro importado por ódio.
Eu sou aquele que só olha e sonha.
Eu sou aquele que mata o estuprador.
Eu sou aquele que você viu no Cidade Alerta.
Eu sou aquela que realiza suas preguiças no escritório.
Eu sou aquela que dá alimento pro filho e fica sem.
Eu sou alguém que um dia teve um sonho melhor.
Eu sou alguém que um dia teve um sonho.
Eu sou alguém que um dia queria ter um sonho.
Eu sou alguém que já acreditou na justiça.
Eu sou aquele que não quer a paz.
Eu sou aquele que não quer continuar na fome com a paz.
Eu sou aquele que a vida vale menos que 1 real.
Eu sou aquele que fumou seu relógio.
Eu sou aquele que descarrega na cabeça do irmão de favela sem dó.
Eu sou aquele que queria passar por uma formatura.
Eu sou aquele com roupa de motoboy estirado na avenida.
Eu sou aquele que faz a leitura da sua água e não ganha nem um café.
Eu sou aquele que agora tem um coração de gelo.
Eu sou aquele que ri do alarme da mansão.
Eu sou aquele que vigia a mansão.
Eu sou aquele que atua na hora do crime.
Eu sou aquele bom aluno que tá trocando tiro com a rota.
Eu sou aquele que foi o primeiro da classe, mas agora é último em esperança.
Eu sou aquela que pensou que o Brasil fosse boa coisa.
Eu sou aquele que cansou de esperar pelo Papai Noel.
Eu sou aquele que passa o dia inteiro jogando baralho sem perspectivas.
Eu sou aquela que espera o meu amor voltar do bar.
Eu sou a resistência em cada ponto deste país.
Eu sou alguém que um dia vai atirar na pessoa certa.
Eu sou alguém que jogou aquele ovo.
Eu sou alguém que não jogaria só ovos.
Eu sou aquele que vai pro show prestigiar o artista metido e insensível.
Eu sou aquele que reclama da televisão mas prestigia o mesmo canal todo domingo.
Eu sou aquele que algum dia vai acordar e ficar raivoso.
Eu sou aquele que algum dia vai dormir e ficar calmo.
Eu sou aquele que não agüenta mais essa porra toda.
Eu sou aquele que um dia vai paralisar este país.
Eu sou aquele que sozinho não vale nada.
Eu sou aquele que sozinho já sou o perigo.
Eu sou aquele que ensina seu filho e não ganha bem, não sabendo se limpa as mãos do pó do giz ou do sangue da exclusão social.
Eu sou aquele que passou por ti na calçada, que você olhou com pena, mas logo pensou em teus problemas que são maiores que minha fome.
Eu sou o povo.

mais uma tijolada do ferréz

O hóspede

Mais uma preciosidade do meu honorável amigo Renato Hideki Tateishi de Moraes...

A pequena odisséia de gabriel começa quando uma flor adoentada lhe pede socorro. Ele sabe o que deve fazer, mas tem consciência de que o caminho será difícil. A expressão das flores, como gabriel as pode perceber, é de preocupação e admiração por sua corajosa atitude,
não se preocupe, florzinha, eu vou te ajudar.
O cão, de orelhas caídas, é o conselheiro a quem nosso herói sempre recorre quando lhe aparecem aventuras como esta que narramos. Sempre lhe ocorre ser o cão um sábio. Mais que um sábio, um sábio exclusivo, visto que ninguém aqui, tirados da conta, é claro, gabriel e o próprio cão, conhece sua enigmática língua. O que o conselheiro acaba de dizer é que não vale a pena se arriscar desta vez, mas o aconselhado, acenando para as nuvens no céu, não o escuta.
Se, por um instante, nos preocuparmos com nosso guerreiro, não será senão por não sabermos que tudo isto aqui pertence a ele. Saibamos do fato, portanto. Também o sabem as fadas, que sempre seguem gabriel em rodopios, e por isso nunca temem por ele (mas quanto a si mesmas hão de estar sempre atentas, vez que são mensageiras e como tal nem sempre portam a verdade mais verdadeira, sem redundâncias, causando incômodos em alguns).
Face a face com o grande inimigo, num flashback ele finalmente escuta seu conselheiro,
não vale a pena se arriscar desta vez. Pari passu, as fadas já espalham a notícia que ninguém queria ouvir. Então as flores choram em silêncio, em especial aquela que está doente, esta não só pela perda daquele que é seu dono e protetor, mas também por culpa. Embora visivelmente triste, não podemos deixar de imaginar que o cão sente algum orgulho, como se, supondo-se ter sido sua qualidade de sábio posta à prova, gritasse em sua língua,
ganhei!
Há no mundo de gabriel um ser que todos desconhecem, que é um anjo com nome de mulher. Ninguém, nem mesmo nosso führer inofensivo, sabe que a manutenção de tudo isso aqui que são as coisas e as aventuras depende muito mais do querubim que de seu dono.
O besouro, grande inimigo, se vê encurralado no jogo de perguntas e respostas que, como já deveria saber, é especialidade de gabriel. O inseto se retira, tendo em si não só a humilhação óbvia mas também uma certa iluminação pelo bom coração do rei, que poderia muito bem tê-lo esmagado. Então o vencedor faz das mãos conchas e colhe da água do riozinho. Quando se vira para vislumbrar o caminho de volta tudo o que consegue ver são as fadas que, embora soubessem sempre que tudo acabaria exatamente assim, o cobrem de beijos e areias que cintilam. O principal papel dessas fadas cínicas nesse mundo é cuidar bem da imagem de seu dono.
Sua chegada é como um alento para todos aqueles que até então se achavam em desesperançosa situação. O sábio conselheiro vem aos pulos lamber a perna do imperador e late,
que milagre! Compenetrado, gabriel se põe sobre seus joelhos, à frente da flor adoentada e sobre ela, abrindo as mãos, deixa cair a água do rio. Ele sabe porque as flores sorriem.
Quando começa a escurecer, uma voz anuncia o jantar. Gabriel se retira para o palácio, não sem antes se despedir de todos, o cão, as fadas, as flores e até o besouro; se despede porque, quem sabe?, amanhã tudo aquilo pode não ser mais seu.
Enquanto nosso herói dorme, o anjo que mantém todo esse mundo vai embora para não voltar nunca mais. Seu rosto mal consegue esconder com um sorriso meio tímido a tristeza que lhe invade. Isso porque passou inúmeros bons momentos aqui. Ele diz,
gabriel, amanhã isso tudo não será mais seu, amanhã isso tudo não será mais eu. O anjo errante agora procura um novo mundo para se hospedar.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

matrix


* Acorde, Neo.
*Matrix has you.
*You are my personal Jesus Christ.
*Meu nome é Trinity.
*Você dorme mal e passa a vida na frente de um computador.
*Você quer saber o que é Matrix. É a pergunta que nos impele.
*Eu quero saber. O que é Matrix?
*Você escolhe: a pontualidade ou a demissão?
*Você escolhe: o andaime ou as escadas?
*Você escolhe: a pílula azul ou a vermelha?
*Você escolhe: saber ou não saber?
*Você escolhe: a sua vida ou a dele?
*É preciso estar pronto para ver.
*A única coisa que te ofereço é a verdade.
*O tempo está sempre contra nós.
*Um dos agentes: - O futuro é o nosso tempo.
*- Estou morto? – Você nunca esteve tão longe disso!!
*O destino não carece de senso de ironia.
*Respire!
*Ninguém pode te mostrar. Você tem que ver por si mesmo.
*Meus olhos doem.
*Você não está acostumado a ver.
*A técnica não é a sua fraqueza.
*Be honest.
*Não pense que sabe. Saiba!
*Não tente bater. Bata!
*Matrix são todos e ninguém.
*Você não vai escapar das balas. Você não vai precisar escapar das balas.
*O “Judas” Reagan: - Ignorance is bliss.
*Você não pode dobrar a colher porque não existe colher!
*Conheça a si mesmo.
*Ele é o mais rápido de todos.
*Eu sou, porque acredito.
*O Oráculo disse o que você precisava ouvir.
*Você não pode estar morto porque eu te amo.
*Eu libertei o mundo da Matrix. Entrego-lhes um mundo livre, sem controles, onde tudo é possível. Agora a escolha é sua.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Midnite em Brasilia

Bela ilustração do meu parceiro Daniel Pingu... http://www.danielbarroca.deviantart.com/

Midnite em Brasília - 21/09/2008

Midnite em Brasília.
21 de Setembro de 2008
Local: Arena F.C. – 18:00 Hs


Atrações:


- Midnite (Ilhas Virgens).

Vinda de St. Croix, Midnite é uma das promessas mais arrepiantes do reggae raiz do milênio. As letras profundas e inovadoras do Midnite são sinceras e enraizadas profundamente para apresentar a outra metade da história. Suas gravações são repletas de mensagens, dignas de horas de reflexão. A voz eletrica do vocalista principal Vaughn Benjamin, parece um apanhado de muitas vozes grandes no reggae. O estilo lírico e potente de Vaughn e o baixo marcante do seu irmão Ron, dão forma ao núcleo do MIDNITE.- Dj. Kaion.


NOVAS ATRAÇÕES A CONFIRMAR.

Pontos de Venda:- Keep Healthy 207 Sul - Over Street – Conic - Bar Raízes 110 Norte - Pizza Dom Bosco (306 Norte/ Sudoeste/ CNB 1 Taguatinga)


Antecipados:R$ 25,00 os 500 primeiros ingressos. + Infos? (61) 8407-0032 / 8485-2518

Um Domingo Qualquer


Talvez a minha filha preferida da série como era verde meu pé de choise!!!!!!!!!
Domingo. Ela acordou bem cedo, levantou foi até a cozinha e preparou um café sem açucar (meu marido só gosta de café amargo), voltou pro quarto e tentou acordar o marido pra irem a missa, ele não acordou, resmungou e virou (tudo bem, trabalhou a semana toda, está cansado), ela se arrumou botou um vestido azul (preciso de umas roupas novas) passou no quarto do filho e o viu dormindo, foi pra cozinha tomou um copo de café amargo com umas bolachinhas de manteiga e saiu de casa, foi pra missa, foi andando pra igreja, era perto de casa (nossa hoje vai fazer um dia lindo), em alguns minutos já estava sentada na igreja, cantou as músicas com coro, adorava cantar, na juventude cantava bastante, juventude, antes de se casar, antes de ser mãe, antes de Ter sua família e suas responsabilidades. O sermão do padre foi sobre caridade, falou sobre doação, a situação do mundo atual, de egoísmo, a atual sociedade pós moderna de exacerbado consumo e as conseqüências desse exagerado individualismo visto nesses tempos de internet (lindo esse sermão, esse padre fala bem mesmo)(precisamos comprar um computador pro júnior). Cantou mais, e a missa acabou, conversou com algumas pessoas na saída da igreja e foi pra feira pra comprar algumas coisas pro almoço de mais tarde (que vontade de almoçar um peixe), foi andando devagar ainda era cedo (dia bonito), chegou na feira, foi comprar umas verduras (nossa como as coisas estão caras)(queria um vestido novo), depois passou na barraca de peixes (lindos esses peixes), desistiu e decidiu que ia fazer frango pro almoço (meu marido prefere frango), ia fazer uma galinhada. Voltou pra casa, abriu a porta, silencio, percebeu que todos estavam dormindo (que sono é esse). Foi no seu quarto chamou o marido e nada, abriu a porta do quarto do filho e ele também estava dormindo, ligou o rádio, estava tocando um pagode (nossa como eu gostava de um pagodinho desses)(gostava?), foi pra cozinha e começou a preparar a galinhada, cortou os legumes, cortou o frango (até que um peixe ia cair bem hoje). Decidiu acordar o marido, ia mandar ele levantar, sair e comprar umas cervejas(ele adora uma geladinha), foi no quarto, acendeu a luz, chamou nada, ele só resmungou e virou, ela o sacudiu, nada (que estranho), um pequeno desespero e ela gritou, nada, decidiu acordar o filho, pedir ajuda, foi no quarto dele chamou, sacudiu, gritou, nada também (meu deus do céu, o que tá acontecendo?), foi pra sala sentou no sofá e chorou (meu deus do céu, o que tá acontecendo?), continuou chorando por uns minutos (bonita esse pagodinho que tá tocando agora) enxugou as lágrimas foi pro quarto e gritou “voce não vai acordar não? Então vou sair de casa, tá?”, comentário que não teve efeito algum, ela virou apagou a luz do quarto (meu deus do céu, o que tá acontecendo?) e foi embora, pegou a bolsa e saiu confusa saiu andando pelas ruas num dia de domingo ensolarado, andou, seus pensamentos eram confusos ela não sabia o que estava acontecendo (meu deus do céu, o que tá acontecendo?), pensou em pedir ajuda (vou lá na casa da minha irmã), decidiu ir pra casa da irmã, perguntar o que deveria fazer. No caminho da casa da irmã passou na frente de um boteco onde tinha um grupo de amigos que pareciam ter saido de uma pelada e estavam tocando um pagode ali mesmo, resolveu entrar (que loucura) sentou no balcão e pediu uma cerveja bem gelada (que calor), tomou meio copo de uma vez só (nossa, que delicia), ficou sentada um tempo , ouvindo o pagode (até que eles tocam direitinho)(nossa, como eu gosto de um pagodinho), o balconista, que era dono do bar começou a puxar conversa, perguntou se ela morava por ali, disse que nunca tinha a visto, falou que era duro trabalhar Domingo, que queria mesmo ficar com a família, que tava guardando dinheiro e que em mais alguns anos venderia o boteco e voltava pro nordeste(muito simpático esse moço), perguntou se ela queria mas alguma coisa, ela disse que o papo estava bom e pediu mais uma cerveja (nossa, é a terceira) e uma porção de bolinho de bacalhau (adoro bolinho de bacalhau), continuou conversando com aquele senhor baixinho e barrigudo (bonito esse moço), depois fechou os olhos e ficou só ouvindo a música o dono do bar que já estava bebendo também estava se divertindo, e disse que gostava daquele samba do Zeca, e cantarolou um versinho (nossa adoro essa musica), ela disse que adorava também, um dos rapazes que estava tocando ouviu o comentário e comecou a tocar (descobri que te amo demais, descobri sem querer a vida, verdade), daqui a pouco ela e o dono do boteco estavam naquela rodinha de samba, dançando com o copo de cerveja, durante horas, cantando, sorrindo (adoro pagode), já era tarde os rapazinhos que estavam tocando foram embora se despediram dela, deram beijos, abraços, mandaram ela voltar na próxima semana, ela sorriu (muito simpáticos esse meninos, e tocam bem), agora era só ela e o dono do bar (simpático e bonito esse moço), ele perguntou se ela estava com fome ela respondeu que não (gordinho mas charmoso), que estava cansada, que bebera demais e ia voltar pra casa, ela disse que ia deixar ele voltar pra família, ele disse que por isso não, que a companhia dela era muito agradável e que tinha siso um dia fantástico, ele nem tinha encarado como um dia de trabalho. Ele pegou na mão dela (bonita essa mão, grande, de macho), ela sorriu, ele olhou nos olhos dela, ela desviou o olhar, ele beijou a boca dela (meu deus que gostoso), ela sorriu, passou a mão no rosto dele (barba fechada), levantou, pegou a bolsa e saiu em direção à porta, ele perguntou se ela ia voltar (tomara amor), ela disse que não, que tinha responsabilidades, que tinha família (meu deus! estão dormindo), que tinha que ir embora. Se lembrara do marido, do filho, apressou o passo, não pensou nada, preocupação, já estava escuro. Entrou em casa o marido estava na sala, bravejou, o filho correu, perguntou onde a mãe tinha se metido, gritaria, ela sorriu (amanhã vou comprar um vestido novo), perguntaram o motivo do sorriso, disseram que estavam com fome, ela não disse nada (gostoso aquele bolinho de bacalhau)(acho que estou meio bêbada), foi pro quarto tirou a roupa botou a camisola e deitou (adoro pagode), dormiu um sono profundo, dormiu como não dormira há anos, já estava dormindo quando o filho e o marido, ainda indignados, entraram no quarto e sem resultado tentaram acordá-la para pedir explicações...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

30 dicas para escrever bem




30 Dicas para escrever bem

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita Demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??...então valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma Palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formasdiferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase Poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a Compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar Deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo! ..nada de mandar esse trem...vixi..entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

menino preto 2


II

Nas primeiras horas do dia, o menino preto andava por uma estrada... o clima seco e a poeira deixavam sua garganta seca... atrás dele um ser que quase lembrava o que já foi... agora era um monte de ossos que se equilibravam e um par de tristes olhos... o menino preto sentia os primeiros raios de sol esquentarem seu rosto... a manhã que nascia trazia um sentimento de recomeço e esperança... ao olhar para os olhos da vaquinha enxergou algo além da tristeza, pôde sentir carinho, cumplicidade, afeto e saudade, gratidão, doação e amor... e o menino preto sorriu mesmo sabendo o que tinha ser feito...
Ele sabia o que tinha que ser feito... e estava fazendo... estava acontecendo... ainda era tempo de voltar atrás, mas era uma questão de sobrevivência, ou de libertação...
Naquela estrada vazia, o menino preto começou a cruzar com toda sorte de pessoas, o sol se apresentava forte e o dia que nascia se mostrava quente e seco... essas pessoas, assim como o menino preto, estavam querendo fazer negócios. Alguns queriam vender, outros queriam comprar, alguns queriam dar, e outros não estavam querendo nada, mas se sentiam tão sós e estavam ali, naquela estrada, procurando encontrar alguém... aquilo era um mercado, uma feira...As pessoas já faziam negócios, mas ninguém parecia se interessar pela vaquinha... o grande numero de pessoas que circulava na estrada fazia com que aquela poeira vermelha subisse dando um aspecto de sonho e o menino preto estava achando aquilo tão animado e belo... na beira da estrada ele sentou, e a vaquinha ficou do lado dele como se compartilhassem aquele momento. Se distraia vendo essas pessoas passando. As pessoas são realmente interessantes. Esses seriam os últimos momentos do menino preto com sua vaca que lha acompanhou pela maior parte de sua vida. O menino estava distraído, e se assustou com a voz estridente de uma velha feia de orelhas estranhamente enormes, que o chamava...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Menino preto


I

O menino preto sabia o que tinha que fazer. O sol ainda não nascera e ele já estava de pé. O menino preto estava triste, tenso, inconformado. Mas ele sabia o que tinha de ser feito. Não conseguiu dormir nessa noite. Angustia. É bem verdade que ele não dorme direito há dias, mas essa última noite talvez tenha sido a mais longa... Passou um café, tomou, amargo. Pegou a corda e foi lá pra fora. Chamou a vaquinha. Ela ia ser vendida, e o menino preto não se conformava. Mas ele sabia o que tinha que ser feito. Ela que estava ali desde o tempo que já sumiu da memória. Ela lhe deu muito leite, deu tudo, deu sua carne... e agora ela não tinha mais nada pra dar... nem parecia mais uma vaca, era algo que se equilibrava, algo que quase não lembrava o que já foi... e ela olhava pro menino preto, um olhar triste, parecia que ia começar a chorar em qualquer momento, mas ela nunca chora... Agora a vaquinha seria vendida. Ainda estava escuro quando o menino preto passou a corda no pescoço magro da vaquinha... e foi puxando.. por uma estrada triste... Andou aproximadamente uma hora e os primeiros raios de sol começaram a esquentar seu rosto... e ele pensava se aquela vaca que era só osso e tristeza teria consciência do que ia acontecer... se talvez ela visse aquilo como uma forma de libertação, ou condenação... se ela teria saudades ou sentiria alivio... ele sabia o que tinha que fazer, mas não sabia o que deveria estar sentindo em relação a tudo isso... o dia nascendo, naquela estrada, puxando algo que quase lembrava uma vaca, ele se sentia triste por saber o que tinha que ser feito...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Gibi do Gondry








Michel Gondry é um dos meus diretores favoritos... sensível e criativo... Além de muitos dos video clipes mais fodas de todos os tempos, Bjork, Chemical Brothers, Rolling Stones, Daft Punk, White Stripes... dirigiu o lindo Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, depois fez a Ciência do Sono e em breve lançara o seu Be Kind Rewind... ele é foda, queria ser amigo dele... e agora ele ataca na minha midia favorita... confere aí... que doidão...




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Transitoriedade

Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:
"Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil..."
Mas outra onda do oceano lhe disse:
"Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoísticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!"
"Mas," replicou a pequena onda,"se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?"
"Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!"
"Água? E o que é água?"
"Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação..."

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Dos Vagabundos


Sem sombras de dúvida, o mundo ainda é suportável, graças aos vagabundos e graças aos rebeldes, aos nômades e a esses inimigos do trabalho e do pudor que aqui, sob o sol indiscritível do Caribe, fundem-se às ondas do mar e até, às “divindades” desse povo inocente! Sim, devemos a liberdade do mundo a esses homens, porque as ditaduras esmorecem misteriosamente diante deles; porque famílias mais tirânicas são desmascaradas por seus pensamento; porque o Estado não os pode “possuir”, nem como soldados, nem como escravos (o que vem a ser o mesmo) e as religiões não os podem induzir ao delírio messiânico.
Ah, como brota sabedoria dos passos desses vagabundos! Desses eternos viajeiros, que antes de se pensar em dialética, já haviam descoberto o trágico destino da civilização... “Suspeita-se dos ladinos, dos malandros e dos vagabundos, entretanto, não saberíamos imputar-lhes nenhuma das grandes convulsões da história. Não acreditando em nada, não invadem vossos corações nem vossos pensamentos mais íntimos; vos abandonam à vossa frescura, ao vosso desespero e à vossa inutilidade. A humanidade lhes deve os poucos momentos de prosperidade que conheceu e são eles que salvam os povos que fanáticos torturam e que os idealistas arruínam. Sem doutrinas, não possuem mais que caprichos e interesses, vícios comodistas, mil vezes mais suportáveis que o despotismo dos princípios, porque todos os males da vida vêm de uma ‘concepção da vida’. Um homem político verdadeiro, deveria aprofundar-se nos sofismas antigod, tomar lições de canto, e de corrupçãp...”

Cioran

Trechinho da entrevista que o doidão do Chris Simunek fez com a lenda do reggae Bunny Wailer...direto da jamaica...

- Temos ouvido falar muito de Nyabinghi – eu disse. - Mas ninguém nos diz exatamente o que é...
- O Nyabinghi é a ordem – ele respondeu. – O trumpete soa de Nyabinghi, porque Nyabinghi é o primeiro. Então, o reggae vem de Nyabinghi e une as nações. É o que fez o reggae e vai sempre ser o reggae, vem pra todas as nações. Une todo o mundo e, embora a mensagem seja dura, não machuca.
Bunny sorriu. Era obvio que, para ele, a explicação era suficiente. Eu decidi mudar de assunto pra maconha de novo.
- Por qure você acha que as pessoas têm medo de legalizar a maconha?
- São as razões – ele respondeu. – Veja você, a maior parte das coisas tem que ter razões. Eles não tinham razão em primeiro lugar para castigar as pessoas por isso, então fica difícil encontrar uma razão pra legalizar. Bill Clinton diz que não tragou, mas quem estava lá pra dizer que não? Eu acho que esses líderes passam tempo demais sentados no escritório. Eles não vão pro meio do povo comer da mesma panela, fumar do mesmo cachimbo, sentar na esquina, conversar, pensar, dormir. Você pode dormir em cima de um banco e, quando acordar, as pessoas ainda estarão lá. Eles precisam disso. Eles têm medo das mesmas pessoas que o puseram lá. Humpty Dumpty sentado no muro. Virou um ovo, ficou fora tempo demais, he he he. Por que o presidente não pode andar no meio dos americanos, se a América é abençoada por Deus? Ele precisa dum baseado, dum cálice. Esses caras se preocupam demais, se preocupam mais do que rezam, tem alguma coisa errada. Você precisa ter cuidado com o monstro que suga a alma do homem, que se alimenta da alma da inocência e diz que tem o poder. Se você tem um nenezinho, não pode se alimentar dos seus braços, das suas pernas ou do que quer que seja, antes que ele consiga se sustentar nos próprios pés... Você só pode receber força duma criança se lhe der força, pra que ela fique forte e te defenda usando a força que você lhe deu. Mas se você pensa que vai se alimentar da sua fraqueza, é melhor rezar pra que ela nunca fique forte.
Mais alguns manos chegaram, e Bunny entrou na casa e reapareceu na varanda com um saco de supermercado cheio de erva. Pegou cinco camarões diferentes e deu pra nós examinarmos.
- Você cultivou isso? – perguntei, trazendo um dos camarões até o nariz pra examinar melhor.
- Quem cultivou foi o sol, o vento e a terra – ele sorriu.
Seu produto tinha cheiro almiscado, de hortelã, característico das mais finas espécies da jamaica. Eu conclui que, se algum dia ele perdesse o trampo de patriarca do reggae, podia continuar a viver decentemente como plantador de maconha.

Retirado do livro Paraíso da Fumaça - Viagens de um jornalista da High Times. ed. Conrad

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

dia dos pais


- Cuidado, você deve imaginar o que fazem com monstros por aqui...
- Eu não sou um monstro!
- Eu sei, isso é o que os monstros sempre dizem.

Eu nunca confiei em meu pai... não que ele já tenha me dado motivos para isso, muito pelo contrario... talvez tenha sido os comentários maldosos da minha mãe... quando era bem pequeno lembro de alguém bem maior que eu dizendo que meu pai tinha cara de bandito...talvez mais de uma, ou mais de duas vezes... e hoje eu me pergunto o que significa ter cara de bandito?... e hoje eu sei que o fato de não confiar em meu pai, foi só um preconceito que eu aprendi nem sei de quem... a verdade é que ele nunca foi perfeito, assim como todo mundo, mas diferente da maioria ele não os escondia, era algo que fazia parte dele, fazia parte de sua identidade, ele tinha orgulho, pois era isso que definia sua humanidade... queria ter confiado e acreditado mais no meu pai... ele fazia de tudo, e eu duvidava até o último momento... nunca me deixou na mão, as poucas vazes que ele vacilou, como qualquer um é passível de erros, eu o culpei e fiz questão de deixar claro seus erros... mas é preciso crescer e amadurecer para entender algumas coisas... é preciso desaprender e aprender tudo de novo... sem dúvida meu pai não foi um pai comum e tradicional... com certeza ele era uma alma rebelde e nunca se adaptou ao sistema... talvez ele não tenha cumprido o papel de pai da forma que a maioria esperava dele... mas eu queria ter confiado mais nele, teria sido uma pessoa menos tensa... teria sido capaz de entender melhor o caos que é o mundo em que vivemos, que não temos controle de tudo... e que o que define um homem não é sua aparência, nem sua conta bancária... que atitudes valem mais do que palavras... a verdadeira coragem por trás do ato de oferecer a outra face... amar é perdoar... nosso pensamento é uma arma poderosa... e que como humanos devemos esperar (ter esperança), e trabalhar por um mundo melhor... essas coisas meu pai me ensinou, sem palavras... ironicamente ele nunca mentiu pra mim...